Gosto de dirigir, acredito que por genética mesmo...
Não, minha mãe não guia carros, motos, tampouco bicicletas. Me lembro de quando ela aprendeu a andar, no beco atrás do prédio em que morávamos, no centro de São Paulo. Estava na época, com trinta e alguns anos. Na mesma época, ou década, ela se habilitou para dirigir carros. Isso porque sabia que era capaz, porque gostar, nunca gostou. Tanto que só tenho duas recordações de vê-la dirigindo. Em uma delas, uma estoria engraçada, com término do Monza Hatch, no mecânico. Na segunda e última vez, foi com minha tia, na praia do Laranjal, em Pelotas.
Depois de vencida, sua carteira nunca mais foi renovada, e na verdade, ela nem queria que fosse. Sua irmã mais nova, uma das únicas habilitadas na família, dirige muito bem, obrigada.
Mas a genética que puxei foi a da parte de meu pai mesmo. Todas as mulheres de sua família dirigem, e mais, dirigem BEM. Herdei seu gosto por carros, e gosto tanto de guiar, quanto de cuidar deles.
No próximo inverno, terei de renovar minha habilitação e fico orgulhosa de ser uma boa motorista, assim como minha tia, que me ensinou a guiar, era. O primeiro carro que guiei foi o dela, um Corolla, com quatorze anos. Gosto de carrões, leia-se carrões no aumentativo mesmo, carro grande. Gosto mesmo, é de dirigir carros velhos. Adoro dirigir sozinha. Gosto de sentir a sensação que, só quem gosta de verdade, sabe como é. Dizem que dirijo como homem, e já que até mulheres dizem que homens dirigem melhor, posso ficar contente com dada comparação. Gostar de andar de carro não tem relação com gostar de guiá-lo. Aprecio bons motoristas, e acho até charmoso quem dirige bem...
Mulher ao volante sim, com gosto e satisfação.

